Fábio Assunção sobre dependência química: ‘O vício não escolhe classe social’

No ar em “Onde Está Meu Coração”, ator avalia como o tema é visto na sociedade e fala sobre sua experiência pessoal com drogas.

Fabio Assunção
Foto: Reprodução Internet

Nesta segunda-feira (04), a Globo exibiu o primeiro episódio da nova série do Globoplay: “Onde Está Meu Coração”.

A trama retrata o drama da dependência química na rotina de uma família rica. Na história, Amanda (Leticia Colin), uma jovem médica bem-sucedida, vinda de uma família de classe alta de São Paulo, se deixa levar pelo prazer fugaz das drogas e acaba viciada em crack.

Fábio Assunção interpreta Davi, o pai de Amanda, que sofre e não sabe o que fazer para livrar a filha do vício. O ator, que já teve um problema de vício em álcool e drogas, falou, durante coletiva de imprensa, sobre sua experiência pessoal e sobre como o tema é abordado na sociedade.

Fábio disse que as drogas e o vício não escolhem classe social: “A gente associa muito essa questão de drogas com as pessoas vulneráveis. A gente tá [na série] trazendo essa discussão desassociando a droga do crime, das ruas, desses tabus todos”, começou.

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“É muito mais comum do que a gente finge ser, acho que é uma hipocrisia muito grande em relação a esse tema, o crack é usado nas classes sociais altas também porque a questão da droga, das doenças todas, elas não escolhem etilismo, classe social, mas as pessoas mais abastadas, elas tem mais estrutura pra tratar isso em um âmbito mais privado. Engraçado como esse assunto pra mim, ele tá tão bem resolvido na minha cabeça, eu vejo isso com distanciamento e uma compreensão”, disse.

O ator falou sobre o pré conceito que as pessoas têm de quem usa drogas, sem ao menos tentar entender o que se passa na vida daquela pessoa: ” Qual de nós não toma remédio pra dor? Mas, o sujeito se droga… Ele deve ter alguma dor, que ele não sabe como resolver. E a gente não consegue ter uma empatia, uma compreensão de que nós somos também vulneráveis a tudo isso”.

Em seguida, ele falou sobre como a série aborda o tema: “Essa série fala sobre o desmoronamento de uma família, uma família que se ama. Eu faço um pai, que é apaixonado pela família e ele, quando vê a filha dependente de crack, apesar de ser médico, ele se desorienta completamente, ele não sabe o que fazer. Ele traz uma internação compulsória como uma solução. Quem é que pode ser tratado por obrigação? Qual é a função de uma internação compulsória?”, refletiu.

O ator falou sobre a falta de conversar sobre o assunto:“A gente perdoa todas as doenças, mas a dependência química tem uma coisa mítica. É muito comum ver adolescentes se embriagando e todo mundo achando astral. Enfim, eu acho que essa série fala de como a sociedade não discute esse tema e, quando acontece dentro de casa, todo mundo tem que se virar, pra tentar encontrar um caminho”.

Assunção também contou que levou Colin para grupos de N.A., como pesquisa para as gravações. “Eu levei a Leticia no N.A. pra ela conhecer, a gente participou de uma roda de partilha e tem uma coisa interessante, que, não só a direção, como os autores, queriam tratar esse tema com muito respeito. A gente fez rodas de partilha emocionantes, foram momentos lindos que a gente viveu se preparando pra essa história”, revelou.

Em certo momento, o ator foi questionado por um jornalista se gravar o seriado teria sido um gatilho para ele que já foi viciado: “Eu acho que a série, como eu tô fazendo um pai de uma dependente química me fez ter um distanciamento e poder ver a situação de fora. Ali, tem essa coisa pessoal das nossas vivências, experiências, mas ali é um trabalho de ator”, disse.

“Esse trabalho tinha essa questão, que era um assunto que era mais próximo, mas também não era, porque eu tava numa outra posição dentro dessa associação. Então, eu trabalhei menos a questão de dependência química e mais como as pessoas veem esse assunto. Eu trabalhei muito essa questão da desorientação, desse desespero em querer resolver, mas, na verdade, só ela [a Amanda] pode querer o melhor para ela”, encerrou.

A nova série do Globoplay foi gravada em 2018. Na época, Fábio estava se tratando do seu vício em álcool. O ator passou por clínicas de reabilitação, fez e ainda faz terapia e mudou os hábitos de vida.

Ele mudou sua alimentação e começou a fazer exercícios físicos. Hoje, o ator está livre das drogas e mais feliz do que nunca. Após se casar com Ana Verena, em 2020, os dois acabam de ser pais de Alana.

Todos os episódios de “Onde Está Meu Coração” estão disponíveis no Globoplay.

Com informações de Caras

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