Dia da Visibilidade Trans: Alice Felis fala sobre viver no país que mais mata transexuais
Modelo, que foi espancada em 2020, conversou com o Minha Cultura e falou sobre a luta diária das pessoas trans; confira!
Neste sábado (29), é celebrado o Dia da Visibilidade Trans. A data surgiu no dia 29 de janeiro de 2004, quando foi organizado, em Brasília, um ato nacional para o lançamento da campanha “Travesti e Respeito”.
O evento foi um marco na história do movimento contra a transfobia e da luta por direitos e a data foi escolhida como o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Desde então, janeiro ficou conhecido como o mês da Visibilidade Trans, que tem o objetivo de relembras as pessoas sobre a luta pela igualdade.
Alice Felis, modelo trans, de 28 anos, conversou com o Minha Cultura sobre a importância da data para a sociedade e falou sobre as lutas diárias que as pessoas trans enfrentam no país que mais mata travestis e transexuais no mundo.
Segundo Alice, o mês e o dia da visibilidade trans são muito válidos, mas, essa importância que as pessoas trans recebem nestas datas, deveriam acontecer o ano todo.
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“O mês da visibilidade trans é muito importante sim, mas acredito que não só o mês de janeiro deveria ser sobre pessoas trans, deveria ser o ano todo. Esse respeito e essa importância que recebemos apenas no mês de janeiro, deveria acontecer sempre”, disse.
Atualmente, o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. No ano passado, 140 transexuais e travestis foram vítimas de homicídio. Segundo ranking mundial, 38% desta população são assassinados no Brasil.
Ao ser questionada sobre o que a população e o governo deveriam fazer para mudar essa realidade horrível, Alice falou sobre respeito, empatia e falta de oportunidades.
“Pra começar, ter mais respeito e empatia já seria uma das coisas mais importantes né? Outra coisa seria mais oportunidades de trabalho e mais responsabilidade com nós, pessoas trans, porque quanto menos oportunidades nos dão, mais vulneráveis ficamos”, disse.
E completou, dizendo que o mercado de trabalho ainda exclui as pessoas trans: “Seria ideal que empresas pudessem dar oportunidades de trabalho para pessoas trans, pois ainda vemos pouquíssimas oportunidades no mercado de trabalho para nós”.
Alice, que durante muito tempo se escondeu e se privou de coisas, disse que o importante para as pessoas trans é justamente não se esconder de nada e nem de ninguém.
“Temos sim, que lutar pelos nossos direitos, afinal não estamos fazendo nada de errado, estamos apenas sendo nós mesmo, temos que lutar pelos nossos direitos e futuro”, disse.
A modelo, que atualmente trabalha como influenciadora digital, disse que busca sempre incentivar as pessoas a não desistirem.
“Eu busco sempre incentivar as pessoas a não desistirem do que de fato estão buscando para elas, não desistir de se mostrar ao mundo, de correr atrás dos sonhos. A vida é muito curta pra ter medo e ficar por trás das sombras”, disse.
AGRESSÃO
Em agosto de 2020, a modelo Alice Felis teve seu apartamento no Rio de Janeiro invadido e foi agredida pelo criminoso. Ela sofreu vários hematomas e precisou passar por procedimentos de reconstrução facial e dos dentes, o que afetou diretamente a sua autoestima.
Nesta semana, o homem que a agrediu foi condenado a 9 anos de reclusão e multa em regime fechado e sem direito a recorrer na justiça.
“Nunca desistam, não se escondam e não tenham medo de lutar por seus direitos. Graças a Deus a justiça foi feita, pois não me deixei abater com comentários negativos. A sentença foi dada por 9 anos e, ainda, vamos tentar recorrer para que ele fique mais alguns anos”, desabafou a modelo.