Marco Pigossi fala sobre processo para assumir orientação sexual

Ator falou em entrevista à Piauí sobre um namoro que teve que esconder e sobre uma crise de pânico que sofreu após boatos de um affair com Rodrigo Simas. 

Dois meses após assumir publicamente um relacionamento com o cineasta italiano Marco Calvani, Marco Pigossi concedeu uma entrevista à revista Piauí e falou sobre o seu processo para assumir sua orientação sexual.

marco pigossi
Foto: Reprodução Intermet

O ator começou contando que quando era mais jovem pensou que sua homossexualidade seria algo passageiro.

“Na minha pré-adolescência, lembro que nunca tive um amigo, um vizinho, um primo ou um tio homossexual, pelo menos assumidamente. Nenhum gay frequentava a casa dos meus pais, em São Paulo. Então, quando comecei a perceber minha orientação, achei – ou quis achar, na verdade – que se tratava de algo passageiro”, contou.

“Eu não tinha referência alguma no meu convívio e, quando assistia à televisão, nada servia como alento. Nas novelas ou nos programas de humor, quase sempre os gays eram retratados de forma caricata, pejorativa. Então, me sentindo solitário e sem amparo, me restava torcer para que fosse apenas uma fase”, continuou.

Quando se tornou ator e começou a trabalhar na Globo em algumas novelas, Marco revelou que não pensava em se assumir. Segundo ele, se fizesse isso, todas as portas de trabalho iriam se fechar.

“Na minha cabeça, não havia nenhuma margem de chance para eu me assumir. Se fizesse isso, todas as portas se fechariam para mim de forma automática”, disse.

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“Eu sofria por não ser 100% verdadeiro, mas o fato de ter um corpo e modos que se encaixam num certo “padrão de heterossexualidade”, que não denunciam minha orientação, acabou me dando o que chamo – ironicamente e entre aspas – de “privilégio do armário””, disse, revelando seu incômodo em ter que mentir para o público e se esconder.

O ator contou que começou a ser chamado para papéis de protagonismo, mas se sentia infeliz.

“Enquanto vivia personagens grandes na novela das 9, estava infeliz por dentro. Seguia me escondendo. Na verdade, eu me fazia passar por um heterossexual por pura e simples manifestação de medo. Medo da minha família, medo dos meus amigos, medo da minha carreira. Até então, eu nunca tinha visto um galã de novelas falar abertamente sobre sua orientação sexual. E meu medo não era em vão”, disse.

Em certo momento da entrevista, Marco contou sobre uma crise de pânico que sofreu após boatos de um affair com Rodrigo Simas.

“Quando estava no ar com a novela ‘Fina Estampa’, viajei para o Rio de Janeiro, onde faria gravações. Quando desembarquei no aeroporto, abri meu celular e li uma notícia: que eu estava tendo um relacionamento com um ator da mesma novela. Era mentira absoluta. Chegava a dizer que nós nos ‘pegávamos’ nos bastidores. Era tudo invenção, mas as pessoas acreditam no que querem acreditar. Eu fiquei travado ao ler aquilo”, revelou.

“Comecei a tremer e suar. Fui para o banheiro do aeroporto, me tranquei em uma cabine e comecei a vomitar. Liguei para meu parceiro, chorando. Eu dizia para mim mesmo que minha carreira tinha acabado. Não conseguia sair dali. Meu companheiro teve que pegar um voo de São Paulo ao Rio para me buscar. Fiquei horas trancado dentro da cabine, até ele chegar. A crise me deixou com sequelas. Passei a tomar antidepressivos e ansiolíticos. O pânico de sair do armário contra minha própria vontade ficou ainda maior”, recordou.

O ator, que atualmente trabalha para a Netflix, revelou que namorou um outro homem por oito anos e precisou esconder o relacionamento durante sua passagem pela Globo.

“Nos meus doze anos de vida pública, mantive um relacionamento com um homem que durou oito anos. Vivíamos juntos no mesmo apartamento. Hoje, olhando esse passado, me dou conta de que vivi situações absurdas. Em passeios nos shoppings, por exemplo, sempre que eu encontrava um conhecido por acaso, meu namorado automaticamente seguia andando para me proteger, como se eu estivesse sozinho. Ele via o tamanho do meu desespero”, contou.

“A paranoia fazia com que uma simples ida ao cinema com meu companheiro, algo trivial na rotina de um casal, fosse precedida de muita angústia. Eu pedia para amigos irem conosco, só para evitar que eu fosse visto sozinho na companhia de outro homem. Era um conflito interno constante: eu não podia deixar o medo me vencer, eu tinha que ir ao cinema, mas, ao mesmo tempo, sentia um pânico de ser descoberto gay”, desabafou.

Com informações de Piauí

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