Inhotim: Uma experiência única que mistura arte e natureza

Visitamos o Instituto Inhotim e entrevistamos a chef Dailde Marinho. Compartilhamos com você a nossa experiência sobre o maior museu a céu aberto do mundo.

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Foto: Carolina Veneroso

O Instituto Inhotim, considerado o maior museu a céu aberto do mundo, está localizado na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, a 60 km de Belo Horizonte.

O museu foi idealizado na década de 1980, pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz. Do solo ferroso de uma fazenda da região nasceu, em 2006, o Instituto Inhotim, que mistura arte e natureza em uma área de visitação de 140 hectares.

Um é pouco, dois é bom, três é ideal

O ideal, assim como indicam os funcionários do Inhotim, é tirar três dias para conhecer todas as obras e espaços. Em apenas um dia, você não conhecerá nem metade das obras, muitas delas interativas, que demandam mais tempo e intensidade na visita.

Nós, do Minha Cultura, escolhemos conhecer o Instituto em dois dias e podemos dizer que ainda ficaram faltando obras a serem visitadas. Porém, conseguimos experienciar quase tudo que o museu coloca à disposição dos visitantes.

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Cerca de 700 obras de mais de 60 artistas, de quase 40 países, são exibidas ao ar livre e em galerias em meio a um Jardim Botânico com mais de 4,3 mil espécies botânicas raras, vindas de todos os continentes.

Você pode conhecer o Instituto a pé (nós andamos cerca de 10km no primeiro dia e 12km no segundo) ou escolher a opção com carrinho elétrico com motorista. O carrinho está à disposição para te levar por uma hora pelo parque ou durante um dia inteiro de visita. É cobrado um preço à parte para quem escolher o carrinho.

Jardim Botânico

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Foto: Carolina Veneroso

Caminhar pelos jardins do Inhotim é mais do que contemplar sua exuberância. Inserido em uma área florestal remanescente de Mata Atlântica e Cerrado – dois dos biomas mais ricos em biodiversidade e, ao mesmo tempo, ameaçados do planeta – o Instituto exibe paisagens lindas, de tirar o fôlego, além de um ar puro e lindos lagos esverdeados.

Em 2010, o Inhotim foi reconhecido como Jardim Botânico, título atribuído pela Comissão Nacional de Jardins Botânicos (CNJB). Os jardins, que começaram a ser construídos na década de 1980, contam com o projeto de Pedro Nehring, que ainda hoje responde pelo paisagismo do Inhotim. Entre os anos 2000 e 2004, Luiz Carlos Orsini assinou o projeto paisagístico de 25 hectares. Hoje, o Instituto é referência nacional e internacional em paisagismo tropical contemporâneo.

Em qualquer lugar que você anda, você se depara com a natureza, lindas árvores e plantas brasileiras, além de flores e animais silvestres que habitam tanto as matas quanto as águas.

Arte Contemporânea

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Foto: Carolina Veneroso

O Instituto Inhotim conta com um acervo de arte contemporânea e obras de grande escala, e exibe também esculturas, fotografias, vídeos, performances, desenhos e pinturas que datam desde a década de 1960 até os dias atuais.

Cerca de 560 obras, de aproximadamente 60 artistas, de 38 países diferentes, estão em exibição atualmente. Além das galerias com obras em exposição permanente, o museu possui quatro reservas técnicas que guardam as demais obras da coleção: esculturas, pinturas, fotografias, vídeos e performances.

Das 23 galerias, quatro são dedicadas a exposições temporárias: Lago, Fonte, Praça e Mata, cujas exposições são renovadas para apresentar novos trabalhos e criar reinterpretações da coleção. Além disso, artistas são convidados a desenvolver novos projetos – junto com a equipe do Inhotim –, fazendo do museu um lugar em constante movimento e evolução. 

As 19 galerias permanentes apresentam obras de Tunga, Cildo Meireles, Miguel Rio Branco, Hélio Oiticica & Neville d’Almeida, Adriana Varejão, Doris Salcedo, Victor Grippo, Matthew Barney, Rivane Neuenschwander, Valeska Soares, Doug Aitken, Marilá Dardot, Lygia Pape, Carlos Garaicoa, Carroll Dunham, Cristina Iglesias, William Kentridge e Claudia Andujar, artistas nacionais e internacionais reconhecidos mundialmente.

Rotas

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Foto: Carolina Veneroso

Para facilitar a visitação, o museu dividiu o passeio em rotas. É possível explorar toda a área a partir de três rotas: rosa, amarela e laranja.

A rota amarela foi a primeira a ser criada e é nela que encontramos a maior parte das instalações artísticas e galerias do museu.

Já a rota rosa passa por um dos lagos do instituto, pelo Centro de Educação e Cultura Burle Marx e por uma das obras mais populares do museu, de Hélio Oiticica.

A mais longa é a rota laranja, que os visitantes costumam tirar um dia para fazê-la. A rota laranja passa por quatro jardins temáticos: Jardim Desértico, Jardim de Todos os Sentidos, Jardim de Transição e Vandário.

Restaurantes

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Foto: Reprodução Internet

É claro que com tanta coisa para ver, tantos passos dados e caminhadas, o visitante provavelmente vai querer comer e os restaurantes do Instituto Inhotim são uma obra à parte.

Durante a nossa visita, apenas um restaurante estava aberto, o Oiticica, especializado em comida brasileira, comandado pela chef Dailde Marinho, que também chefia o Café das Flores, um café charmoso e delicioso que fica na saída do parque, se tornando um convite ideal para quem está deixando o Instituto e gostaria de ficar com gostinho de quero mais, seja com o café, o bolo de chocolate ou o pão de queijo recheado da chef.

Além de experimentar as delícia de Dailde, a chef nos concedeu uma entrevista exclusiva em uma conversa muito bacana e falou sobre como se sente trabalhando no Instituto há 13 anos.

Entrevista com a chef Dailde Marinho

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Foto: Carolina Venoroso

Dailde nos recebeu com um sorriso no rosto para uma conversa divertida e inspiradora. A chef contou que está no Inhotim desde a sua fundação, há 13 anos, e comanda os principais restaurantes do Instituto: O Oiticica, o Tamboril, que está fechado durante a pandemia e o Café das Flores.

Dailde começou contando como é para ela ser chef de cozinha do maior museu a céu aberto do mundo.

“É uma emoção muito grande. Essa natureza, essa paz, é uma energia maravilhosa que não consigo nem descrever”, disse.

“Desde que comecei a trabalhar aqui, eu não tenho mais dores. Dor de cabeça? Nunca mais! Isso prova que trabalhar aqui me faz bem. É um privilégio poder dizer que trabalho no Inhotim há 13 anos. Cozinhar é minha terapia”.

Perguntamos como é chefiar três restaurantes que servem milhares de pessoas quase todos os dias da semana.

“Eu tenho uma equipe grande que me ajuda em todos os restaurantes. Eu treino todo mundo e é todo mundo muito legal, bacana e profissional, por isso temos a fama de ter uma comida tão gostosa, que agrada a todos”.

“São dezenas de funcionários, cada um com sua função. Agora na pandemia, precisamos reduzir o número, mas já vamos voltar com os funcionários nos próximos meses”, contou.

Por fim, Dailde falou sobre futuros planos, que incluem um livro, de sua autoria, com receitas e informações sobre sua carreira no Instituto.

“Para mim, cozinhar é uma terapia, é uma energia maravilhosa. Futuramente eu vou escrever meu livro e vai ser lançado aqui no Inhotim. Vai ter receita e coisas sobre minha vida, vai ser muito bacana, vamos fazer uma noite de autógrafos aqui mesmo”.

Horários e preços

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Foto: Carolina Veneroso

A partir de agosto deste ano, o museu voltou a reabrir às quintas-feiras e agora funciona de quinta até domingo. As visitas acontecem de quinta a sexta-feira, das 09h30 às 16h30; e aos sábados, domingos e feriados, das 09h30 às 17h30.

ingresso custa R$ 44. Crianças até 5 anos não pagam. Estudantes identificados, crianças de 6 a 12 anos e maiores de 60 anos pagam meia. Na última sexta-feira de cada mês, o ingresso é gratuito.

Para visitas em dias consecutivos (que não envolvam o dia gratuito), compre um passaporte. O de 2 dias custa R$ 84. O de 3 dias, R$ 122. O passaporte para 4 dias custa R$ 154. Todos os passaportes saem pela metade do preço para estudantes identificados, crianças de 6 a 12 anos e maiores de 60.

É necessário comprar os ingressos através do site https://sympla.com.br.

OBRAS EM DESTAQUE

Para que a sua visita ao Inhotim fique ainda mais incrível, preparamos uma lista com 9 obras e galerias que PRECISAM ser visitadas. Confira:

O Jardim de Narciso (Narcissus Garden), de Yayoi Kusama (JAP) – 2009

Foto: Carolina Veneroso

A obra fica logo na entrada do Instituto mas também pode ser visitada por último. Nela, 500 esferas de aço inoxidável flutuam sobre o espelho d’água do Centro Educativo Burle Marx. A água e as bolas refletem o céu, que quase sempre está azul, e a natureza maravilhosa que cerca todo o espaço.

A obra foi inspirada em uma escultura que Yayoi Kusama apresentou na década de 1960 na 33ª Bienal de Veneza. Na ocasião, ela instalou de forma clandestina no gramado em meio aos pavilhões mais de mil bolas espelhadas que eram vendidas a US$ 2. A placa que ficava entre as esferas anunciava “Seu narcisismo à venda” , revelando de forma irônica sua crítica ao sistema do mundo da arte. A intervenção resultou na retirada de Kusama da Bienal, onde ela só retornou representando o Japão oficialmente em 1993.

Som da Terra (Sonic Pavilion), de Doug Aitken (EUA) – 1968

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Foto: Carolina Veneroso

O Som da Terra é uma das instalações preferidas de todo visitante que conhece o museu. Trata-se de um pavilhão sônico que traz um furo de 200 metros de profundidade. No solo, foi instalado uma série de microfones que captam som da Terra. Este som é transmitido em tempo real, por meio de um sofisticado sistema de equalização e amplificação, no interior de um pavilhão de vidro, vazio e circular, que busca uma equivalência entre a experiência auditiva e aquela com o espaço.

De lama lâmina (Iglo), de Matthew Barney (EUA) – 2009

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Foto: Carolina Veneroso

A obra De lama Lâmina (2009), do artista Matthew Barney, teve origem em uma performance realizada durante o carnaval de Salvador, em 2004. Nela, o artista toma o candomblé baiano como referência e tece uma narrativa sobre o conflito entre Ogum, orixá do ferro, da guerra e da tecnologia, e Ossanha, orixá das florestas, das plantas e das forças da natureza.

Galeria Fotográfica de Claudia Andujar (SUI)

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Foto: Carolina Veneroso

São cerca de 400 fotografias, distribuídas em quatro salas, que retratam um pouco da cultura Yanomami. As imagens foram feitas pela fotógrafa Cláudia Andujar desde a década de 1960, na região da Amazônia. Divididos por blocos, três temas organizam a exposição das imagens: “A terra” (paisagens); “O homem” (rituais xamânicos, no cotidiano, na casa e na floresta) e “O conflito” (frentes de contato com os brancos).

Beam drop, de Chris Burden (EUA) – 2008

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Foto: Carolina Veneroso

Beam Drop Inhotim (2008) é a recriação de uma obra realizada em 1984, no Art Park, um parque de esculturas no Estado de Nova York, nos Estados Unidos da América, destruída 3 anos depois. Na versão realizada para o Instituto Inhotim, ao longo de 12 horas, 71 vigas coletadas em ferros-velhos próximos de Belo Horizonte foram içadas por um guindaste a 45 metros de altura. Do alto, em um ato performático, elas eram soltas em uma piscina retangular de concreto fresco, que ao endurecer manteve as peças eretas.

O padrão aleatório da escultura é formado pela combinação do controle de Chris Burden, por meio das orientações do artista, à violência e ao acaso provocados pelo peso do material na queda.

Piscina, de Jorge Macchi (ARG) – 2009

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Foto: Carolina Veneroso

Piscina (2009) é a transposição para o espaço tridimensional de uma das aquarelas de Jorge Macchi. Desde meados da década de 1990, o artista desenha objetos do cotidiano em situações fantasiosas ou com funções inventadas.

Assim vemos na obra instalada no Instituto Inhotim, uma piscina que lembra uma agenda telefônica, com índice alfabético nos degraus da escada, dentro d’água. A diferença entre a dimensão do papel e a do mundo real, além de reforçar a sua potência conceitual, constitui um dos principais desafios da obra. O encontro entre o imaginário do artista e a materialização do objeto inventado conta também com a experiência física do espectador.

Pavilhão Tunga e Galeria True Rouge (BRA)

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Foto: Carolina Veneroso

Nesses dois espaços, Tunga retrata seu imaginário exuberante, com desenhos, esculturas, projeções, instalações etc. Em seu pavilhão, o artista pernambucano usa cobre, aço e imã, limalha de ferro, vidro soprado, luz, seda, papel e mais para dar vida às obras. Na galeria que leva seu nome, o vermelho é quem comanda a obra.

Galeria Adriana Varejão (BRA)

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Foto: Carolina Veneroso

Inaugurada em 2008, com projeto do arquiteto Rodrigo Cerviño, esta galeria, que reúne obras de Adriana Varejão, não revela do lado de fora o que se apresenta em seu interior. O “edifício cego”, como denominou Cerviño, é uma grande caixa de concreto suspensa sobre um espelho d’água, que, por sua vez, reflete e amplia a natureza ao redor, propondo um diálogo entre arquitetura e paisagem. O ponto de partida para o desenho da galeria é a própria estrutura que ocupava o local anteriormente, um galpão de apoio para a manutenção da antiga fazenda, que, ao ser retirado, deixou um corte marcado na elevação do terreno, utilizado como base para a construção da galeria.

Invenção da cor (Penetrável Magic Square), de Hélio Oiticica (BRA) – 1977

Foto: Carolina Veneroso

Invenção da Cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe (1977) foi construída postumamente, a partir das instruções deixadas por Hélio Oiticica em textos, plantas, maquetes e amostras. O uso do termo square, que traduzido para português pode significar tanto “praça” quanto “quadrado”, revela elementos fundamentais para o pensamento do artista: o interesse pelo espaço público como lugar de encontro e a herança da tradição geométrica em sua formação.

Aqui, a cor – outro elemento fundamental na produção de Oiticica – atinge a escala ambiental, na articulação de nove paredes em alvenaria, tinta acrílica, tela de arame e vidro. A presença da luz natural com as mudanças que sofre ao longo dos dias completa a obra, modificada a cada instante.

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